No barro do Vale do Jequitinhonha, uma mulher negra ergue a cabeça. O turbante florido, os brincos redondos, os ombros de fora — tudo nasce da argila que as ceramistas da região aprenderam a transformar em memória e identidade. Aqui a cerâmica não é enfeite: é linguagem. É a mesma matéria que, jogada na lama, virou sinônimo de humilhação, e que nas mãos do Vale se ergueu como afirmação de quem somos. Mesmo quebrada, permanece altiva.