
Encostado a uma velha porta de madeira trabalhada, um senhor toca sua sanfona de oito baixos. Veste camisa listrada e boné, e mantém os olhos fechados numa entrega total — não há plateia, há só a música. As mãos enrugadas sobre as teclas contam décadas de dedilhar, e a luz difusa revela cada sulco do rosto, cada marca do tempo. A sanfona, símbolo do sertão, é extensão do próprio corpo. Cultura preservada na carne de um só homem, tocando na alma.
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